quinta-feira, 20 de agosto de 2015

BRICS, БРИКС, Rússia/Agência nacional de rating vai operar ainda este ano

19 de agosto de 2015, http://gazetarussa.com.br (Rússia)


Projeto abandonado em junho foi anunciado novamente por Ministério do Desenvolvimento Econômico. Com classificações paralelas às das grandes agências internacionais, estrutura pode beneficiar pequenas empresas no país.

O ministro do Desenvolvimento Econômico russo Aleksêi Uliukaiev anunciou que, até o final de 2015, o país terá uma agência nacional de classificação de risco. O capital social da agência, estimado em US$ 47,48 milhões, será distribuído igualmente entre os investidores.

“O mais importante agora é garantir o capital da agência. Quanto maior o capital, maior a responsabilidade da agência e maior o peso de suas classificações”, disse o ministro.
Fundada por grandes bancos e corporações nacionais, e com apoio do Banco Central da Rússia, a estrutura já teria atraído o interesse de várias instituições financeiras. “Cada fundador da agência receberá até 5% do seu capital.”

O órgão será chefiado pela primeira vice-presidente do Gazprombank, Ekaterina Trofímova, que trabalhou por mais de uma década na agência de classificação de risco internacional Standard & Poors com foco em países em desenvolvimento.

Proposto no início do ano, o projeto
de criar um instituto nacional foi temporariamente abandonado em junho, quando o vice-premiê russo Ígor Chuvalov anunciou que o país iria desenvolver uma cooperação com a agência chinesa Dagong Global Credit Rating.

3 contra 1
A ideia de criar uma agência nacional foi aventada após as internacionais Moody’s e Standard & Poor's rebaixarem a classificação do país em meio ao agravamento da situação geopolítica.

Em janeiro, a Standard & Poors rebaixou o rating soberano da Rússia de BBB- para BB+, abaixo do grau de investimento. No mês seguinte, foi a vez da Moody's enquadrar a nota de crédito do país no grau especulativo. A Fitch mantém o rating da Rússia em BBB-.

“Sou cético sobre a ideia de criar uma instituição desse tipo, porque não consigo entender os objetivos da nova agência”, diz o analista da empresa de investimentos UFS IC, Iliá Balákirev.

O principal ativo das agências internacionais de classificação de risco é, segundo os especialistas, a reputação conquistada ao longo de décadas.

“A liderança das três agências norte-americanas no mercado global de classificação se deve à qualidade de suas previsões, provada historicamente”, diz o analista da holding de investimentos Finam, Anton Soroko.

Em longo prazo, porém, o desenvolvimento de uma agência alternativa pode ser útil para outros países além da Rússia. Para isso, a instituição deve servir como uma ferramenta que facilite o acesso de pequenas empresas aos mercados de crédito, segundo Balákirev.

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9 de junho de 2014, http://gazetarussa.com.br (Rússia)

Aleksêi Lossan, Gazeta Russa

Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s serão principais concorrentes de instituição recém-criada. Especialistas garantem que iniciativa não tem ligação alguma com a crise ucraniana nem com os recentes acordos entre Rússia e China, e insistem em caráter “apolítico” da nova agência.
A nova agência de rating, cujo objetivo é competir com as tradicionais Moody’s, Fitch e Standard&Poors, será um empreendimento conjunto da russa RusRating, da chinesa Dagong e da americana Egan Jones Rating, criado com base na Universal Credit Rating Group. De acordo com o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, na avaliação dos projetos de  investimentos nacionais e regionais, o novo player usará a estratégia e os critérios aplicados pelas atuais agências de classificação.

Em entrevista à Gazeta Russa, o diretor-geral da RusRating, Aleksandr Zaitsev, garantiu que a criação da nova agência não tem ligação alguma com a crise ucraniana nem com os recentes acordos entre Rússia e China. “Os primeiros sinais de que a indústria da classificação de riscos precisa de uma modernização surgiram muito tempo antes dos acontecimentos na Ucrânia, no meio da crise financeira global em 2008, quando as empresas nos EUA começaram a falir apesar de terem a recebido as melhores notas das três grandes agências de classificação”, explica.

Tempo para amadurecer

Para poder competir com as “três grandes”, a nova agência internacional precisará de tempo para montar um sistema de cooperação com parceiros internacionais. “O mais importante para agências internacionais de classificação de risco de credito é uma reputação que se cria ao longo de muitos anos”, diz o analista da Investkafe, Mikhail Kuzmin. Caso a cooperação entre a Rússia e a China seja ampliada, a classificação da agência poderá inicialmente ser usada em projetos conjuntos russo-chineses.

Enquanto os parceiros insistem que a nova agência de classificação de risco de crédito “está fora do âmbito da política”, o analista da holding de investimentos Finam, Anton Soroko, acredita se tratar também de uma pressão sobre as agências norte-americanas. “O impacto das atuais agência sobre a formação das carteiras de investimentos é muito grande, o que lhes dá a possibilidade de manipular a opinião pública, superestimando ou subestimando a classificação de risco de crédito”, diz Soroko.

Segundo ele, para ter uma objetividade maior, os líderes precisam de outros concorrentes internacionais, em cuja classificação o investidor terá a possibilidade de obter uma visão alternativa. “Além disso, no futuro, a consolidação desse tipo da agência com seus análogos dos Estados Unidos poderia ter o efeito desejado – a criação de um grupo unificado supranacional, livre de pressão política”, acrescentou o especialista.

Considerando a composição heterogênea dos membros, os especialistas têm expectativa de que a agência conseguirá se tornar uma organização “apolítica”, que atrairá o interesse dos investidores internacionais. “A participação do lado russo da RusRating poderia ser explicada pelo fato do que seu ex-diretor, Richard Hainswort, já tinha acordos de parceria com colegas chineses e americanos”, comenta Vadim Vedernikov, vice-diretor do departamento da pesquisa e gestão de risco da UFS IC.

A recente notícia também afasta os rumores de que a nova agência seria resultado da parceria russa com a ARC Ratings, que reúne cinco agências nacionais de Portugal, Índia, África do Sul, Malásia e Brasil.

Fundadores influentes
Em 1996, o economista britânico Richard Hainswort se tornou gerente da representação russa da Thomson Financial Bank Watch – uma das maiores agências internacionais de classificação de risco de bancos, que mais tarde foi comprada pela agência Fitch. Em 2001, Hainswort, com o apoio do banco americano Citibank, fundou a Global Rating International Ltd, com base na qual surgiu a agência  RusRating. Mais tarde, criou também agências similares em outras ex-repúblicas soviéticas, como Cazaquistão e Armênia.

Atualmente, Hainswort é um dos principais especialistas em risco de crédito na Rússia. Em 2004, ele iniciou a criação da associação de analistas financeiros certificados na Rússia (CFA Rússia) e se tornou seu primeiro presidente. No entanto, no final do ano passado, o economista deixou a RusRating, depois que a agência mudou de proprietário.

De acordo com fontes diversas, a agência da classificação de risco de crédito Dagong Global Rating passou a controlar a RusRating. Porém, o beneficiário principal do RusRating não é a empresa chinesa, mas o magnata russo  da construção e banqueiro Mikhail Chichanov. Nesse meio tempo, com base nas agências chinesa, russa e a americana Egan–Jones Ratings foi criada a nova agência internacional Universal Credit Rating Group.


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